Os arquivos históricos portugueses e cabo-verdiano assinaram um acordo de cooperação que, a partir de Julho próximo, vai permitir resgatar tudo quanto seja acervo de Cabo Verde existente naquele país, disse hoje fonte oficial. Citada pela Inforpress, a presidente do Arquivo Histórico Nacional (AHN) de Cabo Verde, Sandra Martins, indicou que, desta forma, o arquipélago vai "recuperar" documentos antigos que lhe dizem respeito e cujo acesso dos investigadores cabo-verdianos só era possível se deslocassem a Portugal.
"Com a concretização do projecto, o público cabo-verdiano terá os documentos à sua disposição a partir de Novembro (deste ano)", explicou a presidente do AHN, lembrando que 75 por cento da "memória" cabo-verdiana está fora do país.
Sandra Martins indicou por outro lado, que Cabo Verde está integrado num outro projecto global, intitulado "África Atlântida", que visa também resgatar o património dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) em Portugal.
"Tudo isso vai ser possível concretizar com a aquisição de equipamentos modernos que permitam que o Arquivo Histórico tenha capacidade de ir lá fora buscar o que é nosso, uma vez que 75 por cento do que é o passado da história do arquipélago está fora" do país, sublinhou Sandra Martins.
"No nosso arquivo, existem documentos que remontam desde o século XVIII. Retratam parte da nossa história e estão guardados no papel e no sistema digitalizado. Há também documentos diversos, como os ligados à filatelia, iconografia, fotografia, tudo quanto tenha valor para refazer a história do país", acrescentou.
Sandra Martins lembrou que o arquivo é o "guardião da memória de um povo".
O Arquivo Histórico Nacional foi criado a 31 de Dezembro de 1988, sendo dotado de autonomia administrativa, financeira e patrimonial.
Apesar de uma parte dos documentos produzidos pela administração colonial estar conservada em Portugal (principalmente a que remonta a épocas mais recuadas), existe uma bolsa bastante considerável de documentos que não foram transferidos e que continuam depositados nas repartições que os produziram.
Nesse sentido, o AHN tem planos de vir a reunir os arquivos dispersos por várias ilhas, bem como a documentação de entidades privadas, como por exemplo os espólios de instituições religiosas.
A biblioteca do AHN possui uma rica colecção de Diários de Governo e de Boletins Oficiais de Portugal e das suas ex-colónias, cerca de 3.000 títulos de obras e 600 títulos de periódicos.