A consultora/ formadora fez esta consideração em entrevista à Rádio Educativa, ao falar do apoio que está a dar ao Ministério da Educação na montagem do sistema de sinalização das crianças com Necessidades Educativas Especiais e o respetivo regulamento, tanto para a legislação que vai orientar a educação inclusiva em Cabo Verde, como para a legislação que vai implementar as equipas multidisciplinares de apoio à educação inclusiva.



Célia Sousa é de opinião de que o país está a fazer uma mudança de paradigma nas respostas educativas e que, quando se fala de educação inclusiva, fala-se de uma escolas que deve dar respostas a todos, que deve deixar de ter guetos, respondendo a todos os alunos, porque eles são essencialmente do sistema educativo, da escola.
“Uma mudança de paradigma numa sociedade não se faz só porque um decreto de lei surge, é um processo. Um processo que vai demorar e que vai ser lento. No entanto, é importante referir que Cabo Verde está a ser o farol da inclusão em África, porque um país que se dispõe a lançar uma legislação num continente onde existem 84 milhões de pessoas com deficiência, de facto só posso dar-lhe uma salva de palmas”, refere.

Segundo Sousa, sem o decreto-lei seria completamente impossível avançar. Por vezes precisa-se que saiam as legislações, para que dêem alguma força para que o processo seja implementado.
“É evidente que tudo isto surge porque Cabo Verde, nas últimas décadas, tem feito experiências, um caminho, já tem um processo. Agora importa que todos os agentes educativos estejam envolvidos. Não basta ter um conjunto de professores/técnicos, é preciso envolver as delegações do Ministério da Educação, os serviços centrais e, no fundo, é preciso envolver-se um país. É preciso que o país pense que respeitar a diferença começa nos bancos da escola. Se nos bancos das escolas se tiver a capacidade de respeitar àqueles que são diferentes, com certeza vamos ter uma sociedade mais rica”, salienta.

A consultora tem a responsabilidade de deixar pronto todo o sistema de sinalização e o respetivo regulamento, assim como a criação da legislação que vai implementar as equipas multidisciplinares de apoio à educação inclusiva.
“Deixar todo esse processo pronto, que está praticamente terminado, em conjunto com a equipa da Direção Nacional de Educação e dotar os técnicos de todo esse processo, para que percebam que, mesmo não estando a legislação pronta em setembro, no início do ano letivo, devem estar preparados para esse novo processo", frisa.

Refira-se que os professores que vão fazer parte das equipas multidisciplinares de apoio à educação inclusiva terminaram uma formação nesta área na semana passada, ministrada pela formadora portuguesa Célia Sousa.

DCC