A Delegada do Ministério da Educação de São Vicente, Maria Helena Andrade, falava em entrevista à Rádio Educativa em jeito de balanço sobre como decorreu o ensino do idioma neste ano letivo, na ilha do Monte Cara.

Tal como nos concelhos de Santa Catarina de Santiago e Praia, São Vicente recebeu igualmente o projeto piloto de introdução do Mandarim como língua estrangeira opcional no ensino secundário.

Das cinco escolas secundárias existentes na ilha, 4 receberam o Mandarim no 9º ano e 2 implementaram a língua no 12º ano por iniciativa própria e em concertação com os professores.

“A Escola Secundária Jorge Barbosa tem 1 turma do 12º ano com 29 alunos e a Escola Industrial e Comercial do Mindelo tem 2 turmas do 12º ano de Mandarim. Quando às turmas do 9º ano, a Escola Secundária José Augusto começou com 3 turmas, a Escola Comercial e Industrial do Mindelo com 1, o Liceu Ludgero Lima 3 e a Escola Secundária Jorge Barbosa 7 turmas de Mandarim”, explica a delegada.

Quanto aos resultados relativamente à disciplina, Maria Helena Andrade garante que ainda não há dados concretos do final do ano, mas afirma que no trimestre passado o liceu Ludgero Lima foi o estabelecimento onde os resultados foram melhores. Por outro lado, na Escola Industrial e Comercial do Mindelo houve mais desistências por parte dos estudantes, o que a seu ver tem a ver com a barreira linguística.

“No início os alunos estavam muito entusiasmados com a possibilidade de aprender uma nova língua, mas depois viu-se que eles não estavam com maturidade suficiente para perceber a importância da língua. É caso para se pensar na introdução do Mandarim nos anos mais avançados, como a partir do 11º ano, em que os alunos já estão a delinear o seu futuro. E também, as professoras de Mandarim não falavam muito bem o Inglês nem o Português, assim como os estudantes”, assegura.

Para além da barreira linguística, a Delegada aponta a sobrecarga horária como outro constrangimento tendo em conta que o Mandarim, sendo uma disciplina de opção, era ministrada no período contrário das aulas.

“Essa sobrecarga provocou aquela desmotivação, porque ficavam com pouco tempo para estudar. Foi um ano atípico e de experiência, mas no próximo ano as coisas vão melhorar”, garante.

Maria Helena Andrade disse ainda que está-se a estudar a possibilidade de abrir mais turmas de Mandarim no próximo ano letivo, mas há que incentivar os alunos e os pais e encarregados de educação, mostrando a importância do idioma.

DCC