A partir do próximo ano letivo, a seleção dos gestores dos agrupamentos vai ser feita por concurso, mediante a apresentação de um projeto ou manifesto de projeto educativo para a área que concorram. A informação partiu do Diretor- geral do Planeamento, Orçamento e Gestão (DGPOG) do Ministério da Educação, numa entrevista concedida à Rádio Educativa sobre o balanço que faz do Conselho Nacional de Educação. José Marques afirmou ainda que a avaliação final de todos os participantes no Conselho Nacional da Educação, que decorreu dias 5 e 6 de abril, no concelho de São Filipe, ilha do Fogo, permite concluir que este foi frutífero.
Segundo José Marques, o Conselho Nacional de Educação permitiu apresentar e discutir quatro diplomas essenciais para o sector educativo. O primeiro tinha a ver com o pacote legislativo relativo a gestão dos agrupamentos educativos e, assim sendo, abrange não só o ensino secundário, mas também o ensino básico. “É um pacote que traz um conjunto de normas e regulamento de funcionamento dos agrupamentos educativos. Ela é bastante abrangente pois além do ensino secundário estende ao ensino básico, portanto passando a reger todo o funcionamento dos agrupamentos educativos.” 
O encontro permitiu ainda discutir a lei de reorganização da rede educativa, essencial num momento em que já se iniciou o processo de reorganização desde setembro, carecendo por isso de enquadramento legal. Assim sendo, e segundo José Marques, o diploma garante a regularização dos agrupamentos que foram criados. Mas há mais: “Também discutimos a lei de funcionamento das delegações. O ano letivo iniciou com dois grandes desafios, o primeiro era a rede e o segundo a implementação dos novos modelos das delegações de educação, onde foram introduzidas figuras de novas áreas funcionais que passou a reger as delegações.”
Devido à pressão do tempo, a lei de avaliação e a de base, cuja discussão estava prevista no programa do conselho nacional de educação, não aconteceu, sendo que vão ser enviadas a cada um dos conselhos para apreciação. 
Ainda segundo José Marques, das leis apreciadas no conselho, a lei de gestão foi a que suscitou mais discussões:
“Sobretudo em temas que rompem com o status quo, nomeadamente a nível dos novos desafios de gestão que se quer imprimir. A partir de agora, no próximo ano letivo, com a aprovação da lei, os gestores dos agrupamentos vão ser por concurso, mediante um projeto ou manifesto do projeto educativo para a área que concorram. Portanto são elementos que vão trazer uma nova dinâmica ao sector e esperamos que se traduzam em ganhos de qualidade para o processo educativo”, afirmou Marques. 
Para o DGPOG do Ministério da Educação os debates em torno dos diplomas foram muito frutíferos, tendo em conta que serviram para melhorar o diploma e o próprio processo em si. “Também tivemos muita discussão a nível dos papéis dos intervenientes no processo, desde os diretores, os órgãos da escola, os coordenadores que são os ex-gestores. Portanto a definição destes papéis suscitou bastante discussão, o que por um lado foi muito bom, pois iniciamos um processo sem instrumento e esse iniciar veio trazer algum elemento de melhoria da própria lei, que permitiu ver como é que as coisas estão a ser implementadas no terreno e é com base nessas práticas que as discussões se cingiram e que permitiu as melhorias que vão ser introduzidas a nível dos instrumentos de gestão e de organização da rede”, destacou José Marques.
Para finais do mês de abril, e após terem recebido imputs de cada um dos delegados concelhios, está previsto que todos estes diplomas fiquem fechados para serem apresentados ao Conselho de Ministros. 
Ainda segundo José Marques, o próximo Conselho Nacional de Educação deve acontecer após o término deste ano letivo e servirá para delinear o que vai ser o próximo ano letivo, em termos de efetivos docentes e discentes, bem como de toda a planificação das melhorias que vão ser introduzidas.